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sexta-feira, 19 de março de 2010

Retratos de Amor- Rubem Alves

"O ouvido é feminino, vazio que espera e acolhe, que permite ser penetrado. A fala é masculina, algo que cresce e penetra nos vazios da alma.
O corpo é um lugar maravilhoso de delícias. Mas todo amor construído sobre as delícias do corpo tem vida breve. A chama se apaga tão logo o corpo tenha esvaziado do seu fogo. O seu triste destino é ser decapitado pela madrugada: não é eterno, posto que é chama.
Uma pessoa é bela, não pela beleza dela, mas pela beleza nossa que se reflete nela...
O amor vive neste sutil fio de conversação, balançando-se entre a boca e o ouvido.
O segredo do amor é a androgenia: somos todos, homens e mulheres, masculinos e femininos ao mesmo tempo. É preciso saber ouvir. Acolher. Deixar que o outro entre dentro da gente. Ouvir em silêncio. Sem expulsá-lo por meio de argumentos e contra-razões. Nada mais fatal contra o amor que a resposta rápida. Alfange que decapita. Há pessoas muito velhas cujos ouvidos ainda são virginais: nunca foram penetrados. E é preciso saber falar. Há certas falas que são um estupro. Somente sabem falar os que sabem fazer silêncio e ouvir. E, sobretudo, os que se dedicam à difícil arte de adivinhar: adivinhar os mundos adormecidos que habitam os vazios do outro.
Aqueles que se dedicam à sutil e deliciosa arte de fazer amor com a boca e o ouvido (estes órgãos sexuais que nunca vi mencionados nos tratados de educação sexual...) podem ter a esperança de que as madrugadas não terminarão com o vento que apaga a vela, mas com o sopro que a faz reacender-se".
(trechos das págs. 90-93)

quinta-feira, 18 de março de 2010

O vendedor de sonhos- O Chamado


Ontem acabei a leitura do primeiro volume do livro de Augusto Cury, " O vendedor de sonhos- O Chamado".
Quem lê os livros do autor percebe que independentemente da obra, ele sempre tenta passar uma lição de qualidade de vida.
Ele sempre demonstra de forma objetiva que não temos qualidade de vida no mundo atual, não temos tempo para curtir a vida, curtir os filhos, que damos muito valor ao ter e esquecemos do ser, que nos entupimos de preocupações, que sofremos com estress, dores de cabeça, dores musculares, queda de cabelo e todos estes sintomas possuem uma razão.
Ele não precisa ser fenomenal para convencer seu leitor que está certo, pois seus argumentos são fatos, bem como ele possui a sensibilidade suficiente para criar no leitor uma ânsia de mudança de foco, de atitude.
O discurso realizado pelo vendedor de sonhos no último capítulo merece ser registrado:
" Deus, quem és tu? Por que esconde sua face atrás do lençol do tempo e não acusa as minhas insanidades? Falta-me sabedoria, e tu o sabes muito bem. Com os pés, piso na superfície do solo, mas com a mente caminho na superfície do conhecimento. Estou mortalmente abatido pela soberba, achando que sei alguma coisa. Até quando digo que não sei.
- A vida é longuíssima para se errar, mas assombrosamente curta para se viver. A consciência da brevidade da vida pertuba a vaidade dos meus neurônios e me faz ver que sou um caminhamente que cintila nas curvas da existência e se dissipa aos primeiros raios do tempo.
Nesse breve intervalo entre cintilar e dissipar, ando à procura de quem sou. procure-me em muitos lugares, mas me achei num lugar anônimo, no único lugar onde as vaias e aplausos são a mesma coisa, o único lugar onde ninguém pode entrar sem permitirmos, nem nós mesmos.
Ah! Se eu pudesse retornar no tempo! Conquistaria menos poder e teria mais poder de conquistar. beberia algumas doses de irresponsabilidade, me colocaria menos como aparelho de resolver problemas e me permitiria relaxar, pensar no abstrato, refletir sobre os mistérios que me cercam.
Se eu pudesse retornar no tempo, procuraria meus amigos da juventude. Onde estão? Quem está vivo? Eu os procuraria e reviveria as experiêcias singelas colhidas no jardim da simplicidade, onde não havia as ervas do status nem a sedução do poder financeiro.
Se eu pudesse retornar, daria mais telefonemas para a mulher da minha vida nos intervalos das reuniões. procuraria ser um profissional mais estúpido e um amante mais intenso. seria mais bem-humorado e menos pragmático, menos lógico e mais romântico. Escreveria sem medo: Perdoe-me por trocá-la pelas reuniões de trabalho! Não desista de mim.
Ah, se eu pudesse retornar nas asas do tempo! beijaria mais meus filhos, brincaria muito mais, curtiria sua infância como a terra seca absorve a água. sairia na chuva com eles, andaria descalço na terra, subiria em árvores. Teria menos medo que se ferissem e se gripassem, e mais medo de que se contaminassem com o sistema social. Seria mais livre no presente e menos escravo do futuro. Trabalharia menos para lhes dar o mundo e me esforçaria muito mais para lhes dar o meu mundo.
Se eu pudesse retornar no tempo, daria todo o meu dinheiro para ter mais um dia com eles e faria desse dia um momento eterno. Mas eles se foram; as únicas vozes que ouço são as que ficaram ocultas nos escombros da minha memória: " papai, você é o melhor pai do mundo, mas o mais ocupado também"
O passado é o meu algoz, não me permite o retorno, mas o presente levanta generosamente meu semblante descaído e me faz enxergar que não posso mudar o que fui, mas posso construir o que serei.
Podem me chamar de louco, psicótico, maluco, não importa. O que importa é que, como todo mortal, um dia terminarei o show da existência no pequeno palco de um túmulo, diante de uma plateia em lágrimas.
Nesse dia, não quero que digam: Eis que nesse túmulo repousa um homem rico, famoso, poderoso, cujos feitos estão nos anais da história". E nem que digam: "Eis que jaz nele um home ético e justo". Pois isso é mera obrigação. Mas espero que digam: 'Eis que nesse túmulo repousa um simples caminhante que entendeu um pouco o que é ser humano, que aprendeu um pouco a ser apaixonado pela humanidade e conseguiu um pouco vender sonhos para outros passantes...".

terça-feira, 9 de março de 2010

Meu Salmo favorito

Salmo 23
O Senhor é o meu pastor e nada me faltará.
Deita-me em verdes pastos e guia-me mansamente em águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma, guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum,
porque Tu estás comigo, a Tua vara e o Teu cajado me consolam.
Prepara-me uma mesa perante os meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida
e habitarei na casa do SENHOR por longos dias.


Conforme Wikipédia, "O Salmo 23 (ou, pela numeração da Septuaginta, o Salmo 22) é atribuído ao Rei Davi, conforme a tradição judaica, Davi teria escrito este Salmo quando estava cercado em um oásis, à noite, por tropas de um rei inimigo, daí o Salmo inserir tamanha confiança na Providência Divina contra os inimigos. Na tradição católica, o Salmo é rezado para afastar perigos e perseguições, sendo uma das orações mais poderosas. Alguns especialistas judaicos afirmam que há elementos cabalísticos em sua recitação em hebraico. É considerado o mais conhecido Salmo bíblico.
Davi era o irmão mais novo, entre os numerosos filhos de Jessé. O pai o designou como pastor. Davi, conforme relato bíblico,(Livro de Samuel) quando possuído pelo Espírio Santo, matava as feras para defender as ovelhas do seu rebanho. Daí a forte referência pastoril em "O Senhor é meu Pastor".

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulher

Para entender uma mulher é preciso mais que deitar-se com ela…
Há de se ter mais sonhos e cartas na mesa que se possa prever nossa vã pretensão…
Para possuir uma mulher é preciso mais do que fazê-la sentir-se em êxtase numa cama, em uma seda, com toda viril possibilidade…
Há de se conseguir fazê-la sorrir antes do próximo encontro
Para conhecer uma mulher, mais que em seu orgasmo, tem de ser mais que amante perfeito…
Há de se ter o jeito certo ao sair, e fazer da saudade e das lembranças, todo sorriso…
- O potente, o amante, o homem viril, são homens bons… bons homens de abraços e passos firmes…
bons homens pra se contar histórias… Há, porém, o homem certo, de todo instante: O de depois!
Para conquistar uma mulher, mais que ser este amante, há de se querer o amanhã, e depois do amor um silêncio de cumplicidade…
e mostrar que o que se quis é menor do que o que não se deve perder.
É esperar amanhecer, e nem lembrar do relógio ou café… Há que ser mulher, por um triz e, então, ser feliz!
Para amar uma mulher, mais que entendê-la, mais que conhecê-la, mais que possuí-la, é preciso honrar a obra de Deus, e merecer um sorriso escondido, e também ser possuído e, ainda assim, também ser viril…
Para amar uma mulher, mais que tentar conquistá-la, há de ser conquistado… todo tomado e, com um pouco de sorte, também ser amado!”

Carlos Drumond de Andrade

8 de março Dia Internacional da Mulher

As Mulheres São Verdes

Conversando com um velho homem, um jovem desabafou:
- Há tanto tempo venho querendo conhecer uma garota e hoje, conseguindo falar-lhe por telefone, fiquei decepcionado.
- Mas por que? - indagou o velho homem.
- Eu lhe perguntei timidamente como ela era e ela - rindo! - respondeu: sou verde.
- E por que a resposta o chocou?
- Ora, amigo, ela estava debochando de mim!
Ouvindo isso, o velho homem pôs-se a falar:
- Meu jovem, você não entendeu que ela estava se comparando a uma árvore.
- Árvore? Como assim?!?
- Menino, as mulheres são como as árvores:
- Elas fincam raízes no solo dos nossos corações;
- Têm paciência e capricho com o próprio crescimento;
- Seus braços são poderosos e, ao abraçá-las, nossos espíritos recebem renovadas energias;
- Elas amam e cuidam dos seus frutos, mesmo sabendo que um dia o mundo os levará para longe delas.
- Outras - aquelas que não dão frutos - oferecem sua sombra àqueles que necessitam de descanso;
- Quando açoitadas por fortes ventos da vida, elas emanam o perfume da força e da fé, acalmando-nos, por mais assustadora que seja a noite;
- Sua seiva são as lágrimas de dor ou de alegria quando em presença do machado ofensor ou do regador daqueles que as amam;
- Seus corações vão alto o suficiente para escutarem mais de perto os recados do céu;
- Elas reverdecem as florestas dos homens, as ruas das cidades, as avenidas, os acostamentos de estradas e as beiras de rios;
- Elas entendem o canto dos passarinhos e, mais do que ninguém, elas valorizam e protegem seus ninhos;
- Suportam melhor a solidão e as vicissitudes que a Vida às vezes nos impõe;
- No mundo, elas nascem em maior número para que o verde da esperança jamais empalideça.
- Meu menino, todas as mulheres são árvores, todas as mulheres são verdes."
Ao final desse relato, refletiu o rapaz:
- Eu tenho um triste jardim no peito:
nele está faltando uma árvore...
...e correu para o telefone mais próximo...

Autor Silvia Schmidt

Lista de vencedores da 82ª edição do Oscar

Ontem comecei a assistir a apresentação do Oscar 2010, mas após a entrega para a atriz coadjuvante resolvi desligar a TV, já passava da meia noite e sabia que ficaria com sono pela manhã...
Fui conferir quem foram os vencedores e o Filme Guerra ao Terror superou Avatar e acabou levando a estatueta.
Estou ansiosa para ver o Filme  "Um sonho Possível", o qual deu o Oscar de Melhor atriz para Sandra Bullock.
Eis a lista completa dos vencedores.

Los Angeles (EUA), 7 mar (EFE).- Lista de vencedores da 82ª edição do Oscar, prêmio distribuído pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.


- Filme: "Guerra ao Terror".
- Diretor: Kathryn Bigelow ("Guerra ao Terror").
- Ator: Jeff Bridges ("Coração Louco").
- Atriz: Sandra Bullock ("Um Sonho Possível").
- Ator Coadjuvante: Christoph Waltz ("Bastardos Inglórios").
- Atriz Coadjuvante: Mo'Nique ("Preciosa - Uma História de Esperança").
- Filme Estrangeiro: "O Segredo dos Seus Olhos" (Argentina).
- Animação: "Up - Altas Aventuras".
- Roteiro Original: Mark Boal ("Guerra ao Terror").
- Roteiro Adaptado: Geoffrey Fletcher ("Preciosa - Uma História de Esperança").
- Documentário: "The Cove".
- Curta de Animação: "Logorama".
- Documentário de Curta-Metragem: "Music by Prudence".
- Curta-Metragem: "The New Tenants".
- Trilha Sonora Original - "Up - Altas Aventuras".
- Canção Original: "The Weary Kind" ("Coração Louco").
- Direção de Arte: "Avatar".
- Efeitos Visuais: "Avatar".
- Fotografia - "Avatar".
- Edição de Som: "Guerra ao Terror".
- Mixagem de Som: "Guerra ao Terror".
- Maquiagem: "Star Trek".
- Figurino: "The Young Victoria".
- Montagem: "Guerra ao Terror". EFE

sexta-feira, 5 de março de 2010

O Vendedor de Sonhos- O Chamado

Segunda-feira iniciei a leitura do livro de Augusto Cury o Vendedor de Sonhos, O Chamado.
Conforme a sinopse, é a narrativa de uma história em que "um homem maltrapilho e desconhecido tenta impedir que um intelectual se suicide. Um desafio que nem a polícia, nem um famoso psiquiatra tinham sido capazes de resolver. Depois de abalá-lo e resgatá-lo, ese homem, de quem ninguém sabe a origem, o nome ou a história, sai proclamando aos quatro ventos que as sociedades modernas se converteram em um hospício global. Com uma eloquência cativante, começa a chamar seguidores para vender sonhos em uma sociedade que deixou de sonhar. Nada tão belo e tão estranho...
Ao mesmo tempo em que arrebata as pessoas e as liberta do cárcere da rotina, arruma muitos inimigos.
Será ele um sábio ou o mais louco dos seres?
Um romance que nos fará chorar, rir e pensar muito".
Ontem, li uma parte em que o vendedor de sonhos adentra em um velório e que seus seguidores, até o momento da minha leitura são: o intelectual,  o bêbado e  o ladrão, ficam com receio, pois sabem que aquele ambiente é feito para o silêncio e para a dor e por isto se afastam um pouco do seu mestre.
Achei interessante a visão que o vendedor passa para os presentes, vejamos:
"- Por que vocês estão desesperados? O senhor Marcos Aurélio não está morto.
...Não lhes peço que silenciem sua dor, mas que silenciem o desespero. Não espero que estanquem suas lágrimas, mas estanquem os altos níveis de angústia. A saudade nunca é resolvida, mas o desespero deve ser aquietado, pois não honra quem partiu.
As pessoas começaram a perceber que o homem de vestes estranhas e barba proeminente podia ser excêntrico, mas era inteligente. O filho do morto, Antônio ( 12 anos), e a esposa, Sofia, fixaram-se nele.
Em seguida, com ar de serenidade difícil de definir, adicionou:
-Marco Aurélio viveu momentos incríveis, chorou, amou, se encantou, perdeu, conquistou. Vocês estão aqui tristes com sua ausência, mergulhados num sentimento de vácuo existencial, porque  o estão deixando morrer no único lugar em que ele tem de continuar vivo. Dentro de vocês.
Vendo as pessoas mais interiorizadas, usou novamente seu penetrante método socrático:
- Que cicatrizes Marco Aurélio deixou em suas emoções?
Onde ele influenciou seus caminhos? Que reações marcaram sua maneira de ver a vida? Que palavras e gestos perfumaram seus intelecto? Onde este homem silencioso ainda grita nos recônditos de suas histórias?
Após proferir essas perguntas sequencialmente, o vendedor de idéias deu um choque de lucidez em todos os que ouviam sua voz, inclusive em nós, que o seguíamos. Mais uma vez ficamos envergonhados pela nossa falta de sabedoria e sensibilidade. Ele refez a pergunta inicial que abalara os ouvintes:
- Este homem está vivo ou morto dentro de vocês?
As pessoas disseram que estava vivo. Imediatamente ele fez um comentário que tirou as pessoas do desespero e abrandou ânimos:
- Pouco antes de Jesus ser morto, uma mulher, de nome Maria, amando-o, derramou sobre ele o mais caro dos perfumes. Era tudo o que ela tinha. Ao ungi-lo com seu perfume, ela queria elogiá-lo por tudo o que ele fez e viveu, e ele ficou tão emocionado que a elogiou por seu gesto magnânimo, enquanto os díscipulos a repreendiam porque desperdiçara um perfume valiosíssimo, que poderia ter outras finalidades.
Censurando os discípulos, ele lhes disse que os estava preparando para sua morte, e que onde a sua mensagem fosse propagada o gesto dela seria como um memorial eterno.
As pessoas estavam concentradas em suas palavras. Os que não ouviam direito tentavam se espremer junto aos que estavam mais próximos. A seguir arrematou:
- O Mestre dos Mestres quis demontrar que o velório pode ser um ambiente de lágrimas, mas deve ser acima de tudo um ambiente saturado de elogios e recordações solenes. O luto deve ser um ambiente perfumado, uma homenagem para quem partiu. Um ambiente para contar seus gestos, declarar suas recordações, comentar suas palavras. A maioria dos seres humanos tem algo para ser declarado. Por favor, contem-me os feitos desse homem! Declarem o significado dele na vida de vocês.
Seu silêncio deve alçar voo de nossa voz.
Num primeiro momento, as pessoas olharam umas para as outras, sem reações. Num segundo momento, foi incrível o que sucedeu. Muitos começaram a contar passagens únicas que tinham vivido com ele. Falaram de legado que ele deixara. Alguns comentaram sobre sua gentileza. Outros declararam sua afetividade. Outros discorreram sobre sua bondade e companheirismo. Outros apontaram sua lealdade. Outros elogiaram sua capacidade de lidar com fracassos. Outros, mais relaxados, falaram sobre seus maneirismos. Houve quem dissesse que era apaixonado pela natureza. Um amigo disse:
- Jamais vi alguém tão teimosso e obstinado.- As pessoas sorriram num ambiente em que ninguém sorri, inclusive Antônio e esposa, pois sabiam que ele era realmente um grande teimoso. E o amigo acrescentou: - Mas ele me ensinou que nunca devemos desistir daquilo que amamos.
Foram incríveis vinte minutos de homenagens. As pessoas não sabiam descrever a fascinante experiência emocional que haviam tido. Marco Aurélio estava vivo, pelo menos dentro das pessoas que o velavam. Nesse momento, o mestre olhou para nós, seus discípulos, e brincou, ou nos disse uma verdade, não sei. Comentou:
- Quando eu morrer, não se desesperem. Homenageiem-me. Falem dos meus sonhos, falem das minhas loucuras...".


Este capítulo do livro denominado "Uma solene homenagem" me fez refletir sobre a questão de como o velório é conduzido na nossa cultura.
Digo na nossa cultura porque já presenciei em vários filmes americanos a cena descrita no livro em que nos velórios as pessoas vão até um local apropriado e fazem homenagens para aquela pessoa que está sendo velada.
É claro que isto não diminui a dor, mas pensando bem, se durante o velório um momento fosse destinado para homenagens póstumas, não seria um bálsamo para o coração dos familiares mais íntimos esta sincera homenagem?
Presenciar como a pessoa era querida, ouvir relatos de suas atitutes durante a vida não traria um certo conforto, não aliviaria mesmo que de forma transitória a angústia?
Acredito que sim, se feito sem hipocrisia, tipo daquelas que alegam que todo mundo vira santo depois que morre...  
É algo a ser pensado, e o livro em cada capítulo nos indaga a respeito de valores da sociedade que devem ser ponderados, modificados.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Fazendo páginas de scrapbooking usando o programa PowerPoint

Normalmente as pessoas que trabalham com scrapbooking digital usam programas como o Photoshop, Paint Shop Pro, pois possibiltam uma qualidade excelente e possuem vários recursos.
Mas para quem está iniciando e não possui estes programas, uma solução é usar o PowerPoint, um programa fácil e que já faz parte do programa Microsoft Office.
A desvantagem é que ao fazer a página de scrap no PowerPoint não se deve salvá-la no formato JPGE e sim TIFF, pois a qualidade do JPEG no PowerPoint não é legal, então depois com um outro programa conversor de imagens a gente salva a imagem feita no PowePoint no formato TIFF para JPEG.
Este programa que converte a imagem é gratuito e fácil de usar, chama-se Irfanview e pode ser baixado em português. ( http://www.baixaki.com.br/download/irfanview.htm)

Veja: Passo a passo para converter:
Depois de ter feito sua página no powerpoint e salvo como TIFF, clique no ícone do infanview na área de trabalho e o programa abrirá, então clique na pasta Arquivo e procure o local em que salvou sua imagem no formato TIFF:
 Então a imagem aparecerá na tela e você irá diretamente na opção salvar como e escolherá o formato JPEG.

Observe que do lado direito aparece uma tela para salvar a qualidade e você tem que marcar 100%.
Pronto, é só clicar em salvar que o arquivo aparecerá na pasta que escolheu em formato JPGE.

Então, sabendo como salvar o arquivo para se ter uma boa qualidade de fotografia, vamos falar como fazer uma página de scrapbooking de digital.

A primeira coisa a se fazer é criar uma pasta no computador com acessórios para scrapbooking digital (Kits completos, papéis, frames, elementos, quickpages, etc), depois criar uma página para salvar seus scraps, assim, fica tudo mais organizado.
Para quem não pretende trabalhar comercialmente com o scrapbooking, uma solução é usar kits e elementos de scrap free, os quais você pode obter em vários blogs, mas é de uso apenas pessoal e sendo comercial o uso, compre seus kits.
No meu Blog, do lado direito há um título scrapbooking digital com vários blogs que são legais e sempre possuem freebies, fica aí a dica.

Então vamos lá, atendendo a pedidos de algumas amigas que perguntam como faço minhas páginas.

Primeira coisa a fazer ao abrir o PowerPoint é configurar a página e para tanto você precisa saber o que quer fazer.
As páginas de scrap são tradicionalmente quadradas e você pode fazer 20x20, 30x30 e terá que imprimir em uma gráfica rápida.
 Se quiser revelar em uma loja fotográfica, os padrões tradicionais são 10x15, 15x21 e 20x25 e apesar de não serem padrões para scrap, nada impede você de trabalhar com padrões fotográficos.
Neste caso sugiro que ao revelar peça para ser em papel fosco, pois o resultado final é mais bonito.
Não sei o motivo, mas no Blog em que aprendi a fazer scrap, havia a sugestão de sempre se dobrar o tamanho da página, pois grarante uma qualidade melhor.
Então se quer imprimir em 20x20, configure em 40x40, se quer revelar em 15x21, configure para 42x30, se quer 20x25, configure para 50x40 e se quer 10x15, faça 30x20.
Acredito que esta dica seja para PowerPoint e não necessária em outros programas.
Se o seu programa for 2007, abra e clique em Design na barra de ferramentas em cima.
Então clique em configurar página e escolha a opção personalizar:

Então coloque o tamanho que quiser e marque a opção retrato ou paisagem, conforme o padrão que melhor lhe atender:
Vou fazer uma típica página de scrap quadrada no tamanho 20x20, então vou marcar 40x40 e marcar a opção paisagem.
Então a tela fica assim:
Clique nos traçados dos retangulos de título e subtítulo e delete.
Primeira coisa a fazer é selecionar a foto, pois através dela é que você vai escolher os elementos de fundo(papéis), os elementos decorativos que melhor combinam com as cores da foto.
Então escolhi uma foto, copiei e colei na área branca:
No caso vou cortar a lateral da foto, para tanto clico uma vez na mesma e ela fica selecionada, então aparece na barra superior a opção formatar, clico nesta opção e no canto direito superior da tela aparece a opção cortar, clico nesta opção e vou cortar a foto até onde preciso.

Então agora vou aumentar a imagem, clicando fora da mesma para desfazer a marcação de corte e depois na imagem para aparecer os pontos na extremidade da foto, o qual eu arrasto somente em um dos lados opostos da foto, pois caso contrária a imagem fica desfigurada.

Então, para esta página vou escolher um frame, uma moldura para a foto.
Conforme o frame que escolha terá que ajustar o tamanho da foto, aumentando, diminuindo, cortando, as dimensões do frame você ajusta como quiser, depois de copiar o frame em sua pasta de scrapbooking, cole na página do powerpoint e ajuste até cobrir perfeitamente a área da imagem.
Preste atenção que muitas vezes um tipo de imagem não se adere bem ao modelo de frame, então o melhor modo é ficar fazendo testes até achar o que lhe agrada.
No caso em tela o frame já está bem decorado, então não preciso de muita coisa para trabalhar, apenas escolher um fundo e colocar um título.
Há opções também de se trabalhar imagens de formas diferentes, ( cículos, corações, nuvens) em outro post ensino como fazer.
Então agora é escolher um papel.
Você clica em design e aparece no canto superior direito estilos de plano de fundo.
 
Então você clica em formatar plano de fundo, preenchimento com imagem ou figura, Arquivo e vai procurar na sua pasta de scrapbooking o papel que melhor combine com a página.
Nesta etapa são vários teste, você pode ir visualizando até aplicar definitivamente o que lhe agrada.
Escolhido o plano de fundo, podemos colocar um título, um texto, uma poesia.

Neste caso como o frame já é bastante decorado vou apenas colocar o título "Férias".
Sugiro criar uma pasta com Alphas, dentro da pasta de scrap, fica mais fácil para trabalhar.
Então escolha um alpha que são alfabetos criados em scrapbooking, letras decoradas, ou se preferir, escolha uma fonte e digite o título ou mensagem que quiser na parte inferior da tela, depois copie e cole na página.
Se optar pelo alpha é só copiar e colar as letra e ajeitá-las na página, reduzindo ou ampliando seu tamanho da mesma maneira que fez com a imagem.
Agora está pronto, é só salvar em formato powerpoint, pois vc pode modificar depois se quiser e também em formato TIFF para poder depois converter em JPGE no irfanview, como explicado anteriormente.
Então clique em Arquivo, salvar como outro formato e escolha a opção TIFF.


Depois vai aparecer a opção para salvar slides e clique em apenas salvar o slide atual.
Vejamos como ficou:

terça-feira, 2 de março de 2010

Quando sou fraco, então é que sou forte.

"Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte" (2 Coríntios 12:10).
Conheci esta frase de São Paulo há muito tempo atrás e apesar de ser paradoxal, fiquei encantada com sua sabedoria e profundidade.
Usei-a por um bom tempo nos finais do e-mail que enviava, pois gosto de ter uma frase no rodapé do e-mail.
Retirar forças da fraqueza é algo esplendoroso, é uma capacidade que todo ser humano possui, principalmente aqueles que são positivos, que não desistem nunca, que possuem fé.
Vencer a fraqueza nos torna forte, a força não nasce do nada, ela é conquistada paulatinamente, toda vez que encaramos de frente nossos problemas, mesmo se sentimos medo, mesmo se sentimos insegurança, ao encarará-los ficamos fortalecidos.
Toda vez que insistimos em alcançar nossos objetivos, nossos sonhos, mesmo que fracassemos, quando tentamos novamente ficamos mais fortalecidos.
Toda vez que escutamos nosso coração e fazemos a coisa certa, mesmo que a razão grite mais alto que não,  pois sabemos que o sofrimento será inevitável, é claro que sairemos fortalecidos.
E principalmente quando nos entregamos inteiramente ao amor, abraçamos a fé, sabemos no nosso íntimo que as forças nos serão dadas para atravessar qualquer momento de dificultade, de abalo interior e as forças serão abastecidas trabalhando as nossas fraquezas, vencendo-as encontraremos o que nos faz mais felizes, mais iluminados, mais fortes, mais completos.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O símbolo perdido


Ontem acabei a leitura do livro o Símbolo Perdido, dentro da minha perspectiva de tempo ( 1 semana).
O livro é instigante, pois há uma linha tênue entre ficção e realidade...por exemplo, a história contada é ficção ( um empolgante suspense), mas os lugares em que os fatos se sucedem, as tecnologias usadas, ou mesmo a ciência noética citada várias vezes, são reais.
Aliás, nunca havia escutado o termo ciência noética, apesar de entender suas implicações e pesquisei na internet para saber se realmente existia esta ciência ou se era ficção do livro, sendo que na Wikipédia há uma página inteira explicando tal ciência, cito um trecho que faz alusão ao livro de Dan Brown:
"A noética é uma disciplina científica ainda pouco divulgada, não possui ainda uma estrutura ou um corpo de conceitos básicos bem definidos, sequer seu nome é reconhecido em larga escala - ainda que sua abordagem integradora e multirreferenciada já esteja em uso por muitos pesquisadores treinados na ciência convencional, que não se autodefinem como "noéticos" - e enfrenta ainda muita resistência de setores conservadores, mas, por contemplar uma multiplicidade de pontos de vista simultaneamente, tem crescido rápido.[1][18] Seu desenvolvimento acelerado é também fruto dos grandes avanços na tecnologia da informação, que ao obrigar a uma reestruturação das formas de armazenamento e distribuição de informação, tornou indispensável uma reflexão profunda a respeito da natureza, estrutura e procedimentos do próprio conhecimento em geral.[18] Recentemente a noética ganhou um destaque especial ao ser colocada como um dos temas principais do best-seller O Símbolo Perdido, de Dan Brown, que vendeu um milhão de cópias apenas no dia de seu lançamento.[28][29] Desde o seu lançamento, o website do Instituto de Ciências Noéticas registrou um aumento de 1200% no número de acessos, e o número de associados cresceu em 300% em comparação ao mesmo período do ano passado"
Enfim, o livro é  cheio de reviravoltas, surpresas, um emocionante suspense do início ao fim.
Uma leitura que vale a pena!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Valentine's Day

Hoje comemora-se o dia Internacional do Amor: Valentine´s Day.
Conforme fonte retirada do site nossasaopaulo.com.br, encontrei o significado desta data:
Origem
O feriado do dia dos namorados provavelmente origina-se da festa romana antiga de Lupercalia.
Ninguém sabe exatamente quem foi o Santo Valentine. De fato, os registros da igreja mostram o mesmo Santo Valentine nomeado por dois povos. Ambos foram jogados na cadeia.
O Primeiro Valentine:
Nos últimos dias de Roma, os lobos ferozes vagavam próximos às casas. Os romanos convidavam um de seus deuses, Lupercus, para manter os lobos afastados. Por isso, um festival era oferecido em honra de Lupercus e comemorado no dia 15 de fevereiro. Lembrando que o calendário era diferente naquele tempo.
Como um dos costumes do povo, no início do festival de lupercalia, os nomes das meninas romanas eram escritos em pedaços de papel e colocados em frascos. Cada homem escolheria um papel. A menina cujo nome era escolhido, devia ser sua namorada durante aquele ano.
Valentine era um padre em Roma, quando o cristinanismo era uma religião nova. O imperador nesse tempo, Claudius II requisitou que os soldados romanos não se casassem. Claudius acreditava que, como homens casados, seus soldados iriam querer permancer em casa com suas famílias ao invés de lutar nas guerras.
Valentine foi contra o decreto do imperador e casava secretamente os jovens. O padre foi preso e julgado à morte. Valentine morreu em 14 de fevereiro, no mesmo dia do feriado romano de Lupercalia. Após sua morte, Valentine foi considerado santo.
O Segundo Valentine:
O segundo Valentine foi preso por ajudar alguns cristãos. Enquanto na cadeia, apaixonou-se pela filha cega do carcereiro. Seu amor por ela e sua grande fé operaram um milagre, curando a sua cegueira.
Antes dele ser morto (diz-se que foi decapitado em 14 de Fevereiro do ano 269 D.C.), enviou-lhe uma mensagem de despedida assinada: "De seu Valentine". Esta frase tem sido usada, desde então, em cartas de amor.
O Feriado:
No ano 496, o Papa Celasius decidiu adotar 14 de Fevereiro para honrar a memória de St. Valentine (não se sabe ao certo qual dos dois, ou se os dois).
O feriado caiu no dia anterior ao festival romano de Lupercalia, em honra do deus Lupercus que protegia as colheitas e contra os lobos. Talvez de caso pensado para se ter uma festa cristã em contraponto ao festival pagão.
O festival de Lupercalia era comemorado em 15 de fevereiro. Com o passar dos anos, o "Valentine's Day" e o festival de "Lupercalia" foram unidos em um único feriado e transformaram-se em um momento mágico para se comemorar o amor e a afeição.
No BRASIL:
No Brasil, comeroramos o Valentine's Day como Dia dos Namorados, em 12 de Junho. ( meu aniversário).
Nos Estados Unidos:
Nos dias que antecedem a 14 de Fevereiro, as lojas, as livrarias e as drograrias apresentam uma grande variedade de cartões, chamados Valentines. De fato, o "Valentine's Day" é o segundo feriado mais comemoradonos EUA, somente atrás do natal, em número de cartões enviados através dos correios. Há Valentines (cartões) especiais, com as mensagens dirigidas a membros específicos da família.
O Cupido, outro símbolo do feriado, tornou-se associado a ele porque era o filho de Venus, deusa romana do amor e da beleza e aparece freqüentemente nos cartões do Valentine's Day. Para os namorados e amigos, há Valentines em qualquer estilo imaginável: sentimentais, tímidos, sofisticados, humoristas e até desafiadores.
Os adultos normalmente compram Valentines para acompanhar um presente mais elaborado, tal como doces, flores ou perfumes. Os estudantes aprecíam comprar ou fazer Valentines para seus amigos e professores.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Carta entre Amigos.


Aproveitei a internação de Fernando na quinta-feira para terminara leitura que havia começado  na segunda: Carta entre Amigos, de Padre Fábio de Melo e Gabriel Chalita.
Como ficaria ansiosa esperando o término da cirurgia, nada melhor que uma boa leitura para ajudar o tempo passar e para ocupar a nossa mente de forma descontraída.
Gostei muito das cartas, esta é a composição do livro, cartas trocadas entre amigos que abrem o coração e discursam sobre os mais variados temas ( amor, medo, morte, solidão, inveja, etc.).
O legal é que os dois autores são excelentes, cada carta é bela, tem uma essência profunda, muita reflexão, sinceridade e com certeza é um livro que vale a pena ler, bem como um livro que vale presentear.
Gosto de frases atribuída a Mário Quintana ( o qual sou apaixonada) que fala sobre livros:

"Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem."  e " O verdadeiro gentleman compra sempre três exemplares de cada livro: um para ler, outro para guardar na estante e o último para dar de presente".

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A cabana e projeto Missy

Sexta-feira passada acabei a leitura do Livro a Cabana.
Ao final do Livro o autor fala de um projeto que visa proporcionar a divulgação do livro, pedindo para que as pessoas doem para entidades, bem como presenteiem amigos e familiares com um exemplar.
Acabei acatando a idéia antes mesmo de conhecer este projeto, pois havia presenteado 2 amigas queridas com o livro A cabana.
Assim que tiver oportunidade vou presentear outra amiga, agora ciente do objetivo do projeto.
Quanto ao livro, não posso deixar de negar que o fundo em que o contexto é trabalhado é muito triste, pois mergulhamos na dor profunda de um pai que perde sua filha caçula em um assassinato brutal realizado por um serial killer, o qual sequestra e mata crianças, não deixando pistas concretas para sua captura, nem ao menos os corpos são encontrados.
O livro retrata a dor e dúvidas deste pai que não entende porque Deus deixou, permitiu que algo tão ruim acontecesse com sua inocente filha Missy, de apenas 6 anos de idade.
É maravilhoso como o autor trabalha a figura de Deus, Jesus e do Espírito Santo, como nos leva a entender estas três  personificações.
Não vou me aprofundar no tema, mas digo que vale a pena embarcar nesta viagem para A Cabana e descobrir o imenso amor de Papai para com seus filhos.
Uma leitura esclarecedora e que nos abre uma nova realidade de Deus, Jesus e o Espiríto Santo.
Eu confesso que houve uma parte em especial da leitura em que me segurei para não chorar...
Foi o momento em que na cachoeira o pai vê sua filha Missy brincando com os irmãos e ela se aproxima dele, parecendo perceber que  seu pai está ali, atrás daquelas águas cristalinas...a troca de olhares, os gestos, tudo possui uma intensidade, uma emoção que toca nosso coração.
Talvez por eu ter filhos a emoção desta cena me tocou profundamente...
Ao final do livro fica a indagação se aquela experiência realmente aconteceu, mas fica também a certeza que o autor estava compondo sua obra através do Espiríto Santo de Deus, o qual guiava sua mente, sua mão para traçar esta história que merece ser divulgada e conhecida, principalmente para as pessoas que fazem a pergunta: Por quê?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sobre Simplicidade e Sabedoria

"Pediram-me que escrevesse sobre simplicidade e sabedoria. Aceitei alegremente o convite sabendo que, para que tal pedido me tivesse sido feito, era necessário que eu fosse velho.
Os jovens e os adultos pouco sabem sobre o sentido da simplicidade. Os jovens são aves que voam pela manhã: seus vôos são flechas em todas as direções. Seus olhos estão fascinados por 10.000 coisas. Querem todas, mas nenhuma lhes dá descanso. Estão sempre prontos a de novo voar. Seu mundo é o mundo da multiplicidade. Eles a amam porque, nas suas cabeças, a multiplicidade é um espaço de liberdade. Com os adultos acontece o contrário. Para eles a multiplicidade é um feitiço que os aprisionou, uma arapuca na qual caíram. Eles a odeiam, mas não sabem como se libertar. Se, para os jovens, a multiplicidade tem o nome de liberdade, para os adultos a multiplicidade tem o nome de dever. Os adultos são pássaros presos nas gaiolas do dever. A cada manhã 10.000 coisas os aguardam com as suas ordens (para isso existem as agendas, lugar onde as 10.000 coisas escrevem as suas ordens!). Se não forem obedecidas haverá punições.
No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o vôo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu vôo pela manhã. Já observaram o vôo das pombas ao fim do dia? Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.
Jesus contava parábolas sobre a simplicidade. Falou sobre um homem que possuía muitas jóias, sem que nenhuma delas o fizesse feliz. Um dia, entretanto, descobriu uma jóia, única, maravilhosa, pela qual se apaixonou. Fez então a troca que lhe trouxe alegria: vendeu as muitas e comprou a única.
Na multiplicidade nos perdemos: ignoramos o nosso desejo. Movemo-nos fascinados pela sedução das 10.000 coisas. Acontece que, como diz o segundo poema do Tao-Te-Ching, “as 10.000 coisas aparecem e desaparecem sem cessar.“ O caminho da multiplicidade é um caminho sem descanso. Cada ponto de chegada é um ponto de partida. Cada reencontro é uma despedida. É um caminho onde não existe casa ou ninho. A última das tentações com que o Diabo tentou o Filho de Deus foi a tentação da multiplicidade: “Levou-o ainda o Diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória e lhe disse: ‘Tudo isso te darei se prostrado me adorares.’“ Mas o que a multiplicidade faz é estilhaçar o coração. O coração que persegue o “muitos“ é um coração fragmentado, sem descanso. Palavras de Jesus: “De que vale ganhar o mundo inteiro e arruinar a vida?“ (Mateus 16.26).
O caminho da ciência e dos saberes é o caminho da multiplicidade. Adverte o escritor sagrado: “Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne“ (Eclesiastes 12.12). Não há fim para as coisas que podem ser conhecidas e sabidas. O mundo dos saberes é um mundo de somas sem fim. É um caminho sem descanso para a alma. Não há saber diante do qual o coração possa dizer: “Cheguei, finalmente, ao lar“. Saberes não são lar. São, na melhor das hipóteses, tijolos para se construir uma casa. Mas os tijolos, eles mesmos, nada sabem sobre a casa. Os tijolos pertencem à multiplicidade. A casa pertence à simplicidade: uma única coisa.
Diz o Tao-Te-Ching: “Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa.“
Diz T. S. Eliot: “Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?“
Diz Manoel de Barros: “Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar. Sábio é o que adivinha.“
Sabedoria é a arte de degustar. Sobre a sabedoria Nietzsche diz o seguinte: “A palavra grega que designa o sábio se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphus, o homem do gosto mais apurado. “A sabedoria é, assim, a arte de degustar, distinguir, discernir. O homem do saberes, diante da multiplicidade, “precipita-se sobre tudo o que é possível saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço.“ Mas o sábio está à procura das “coisas dignas de serem conhecidas“. Imagine um bufê: sobre a mesa enorme da multiplicidade, uma infinidade de pratos. O homem dos saberes, fascinado pelos pratos, se atira sobre eles: quer comer tudo. O sábio, ao contrário, para e pergunta ao seu corpo: “De toda essa multiplicidade, qual é o prato que vai lhe dar prazer e alegria?“ E assim, depois de meditar, escolhe um...
A sabedoria é a arte de reconhecer e degustar a alegria. Nascemos para a alegria. Não só nós. Diz Bachelard que o universo inteiro tem um destino de felicidade.
O Vinícius escreveu um lindo poema com o título de “Resta...“ Já velho, tendo andado pelo mundo da multiplicidade, ele olha para trás e vê o que restou: o que valeu a pena. “Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas...“ “Resta essa capacidade de ternura...“ “Resta esse antigo respeito pela noite...“ “Resta essa vontade de chorar diante da beleza...“. Vinícius vai, assim, contando as vivências que lhe deram alegria. Foram elas que restaram.
As coisas que restam sobrevivem num lugar da alma que se chama saudade. A saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. Aprovadas foram as experiências que deram alegria. O que valeu a pena está destinado à eternidade. A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo. É para isso que necessitamos dos deuses, para que o rio do tempo seja circular: “Lança o teu pão sobre as águas porque depois de muitos dias o encontrarás...“ Oramos para que aquilo que se perdeu no passado nos seja devolvido no futuro. Acho que Deus não se incomodaria se nós o chamássemos de Eterno Retorno: pois é só isso que pedimos dele, que as coisas da saudade retornem.
Ando pelas cavernas da minha memória. Há muitas coisas maravilhosas: cenários, lugares, alguns paradisíacos, outros estranhos e curiosos, viagens, eventos que marcaram o tempo da minha vida, encontros com pessoas notáveis. Mas essas memórias, a despeito do seu tamanho, não me fazem nada. Não sinto vontade de chorar. Não sinto vontade de voltar.
Aí eu consulto o meu bolso da saudade. Lá se encontram pedaços do meu corpo, alegrias. Observo atentamente, e nada encontro que tenha brilho no mundo da multiplicidade. São coisas pequenas, que nem foram notadas por outras pessoas: cenas, quadros: um filho menino empinando uma pipa na praia; noite de insônia e medo num quarto escuro, e do meio da escuridão a voz de um filho que diz: “Papai, eu gosto muito de você!“; filha brincando com uma cachorrinha que já morreu (chorei muito por causa dela, a Flora); menino andando à cavalo, antes do nascer do sol, em meio ao campo perfumado de capim gordura; um velho, fumando cachimbo, contemplando a chuva que cai sobre as plantas e dizendo: “Veja como estão agradecidas!“ Amigos. Memórias de poemas, de estórias, de músicas.
Diz Guimarães Rosa que “felicidade só em raros momentos de distração...“ Certo. Ela vem quando não se espera, em lugares que não se imagina. Dito por Jesus: “É como o vento: sopra onde quer, não sabes donde vem nem para onde vai...“ Sabedoria é a arte de provar e degustar a alegria, quando ela vem. Mas só dominam essa arte aqueles que têm a graça da simplicidade. Porque a alegria só mora nas coisas simples. (Rubem Alves- Concerto para corpo e alma, pg. 09.)

A cabana- Michael W. Smith

Ontem não consegui dormir, acho que o cochilo da tarde atrapalhou o meu sono, então resovi levantar por volta das 23:00 horas e começar a ler o livro "A cabana", o qual comprei esta semana que passou.
Li até 12:30 horas e parei no momento em que Mack retorna ao local em que viveu seu pior pesadelo: o assassinato de sua filha caçula, para um suposto encontro com Deus. 
Confesso que estou ansiosa para ler sobre este encontro e o que acontecerá...
Este livro me foi muito bem recomendado, tanto que presentei 2 amigas sem ao menos lê-lo anteriormente, ou seja, confiei que era um bom presente.
Em breve saberei dizer o que achei sobre o livro...
Eis a sinopse:
"Esta história deve ser lida como se fosse uma oração, a melhor forma de oração, cheia de ternura, amor, transparência e surpresas. Se você tiver que escolher apenas um livro de ficção para ler este ano, leia A cabana." - Michael W. Smith
Publicado nos Estados Unidos por uma editora pequena, A Cabana revelou-se um desses livros raros que, por meio do entusiasmo e da indicação dos leitores, se torna um fenômeno de público: já são quase dois milhões de exemplares vendidos.
Durante uma viagem em um fim de semana, a filha mais nova de Mack Allen Phillips é raptada e evidências de que ela foi brutalmente assassinada são encontradas em uma cabana abandonada.
Após quatro anos vivendo em uma tristeza profunda, causada pela culpa e pela saudade da menina, Mack recebe um estranho bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o para voltar à cabana onde aconteceu a tragédia.
Apesar de desconfiado, ele vai ao local do crime em uma tarde de inverno e adentra passo a passo no cenário de seu mais terrível pesadelo. Mas o que ele encontra lá muda o seu destino para sempre.
Em um mundo tão cruel e injusto, A Cabana levanta um questionamento atemporal: se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar o nosso sofrimento?
As respostas que Mack encontra vão surpreender você e podem transformar a sua vida de forma tão profunda quanto transformou a dele. Você vai querer partilhar este livro com todas as pessoas que ama.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Epitáfio

Recebi uma mensagem de Rubem Alves feita em pps cujo título era escutatória, gostei tanto que até postei aqui no blog.
No final da mensagem havia uma frase atribuída ao mesmo autor:"Aquilo que o coração ama fica eterno".
Gostei da frase, achei simples e verdadeira, aliás, achei perfeita.
As vezes naqueles momentos em que a gente pensa na morte (afinal ela é certa, então de vez em quando temos que pensar...) eu fico imaginando o depois, não somente a parte da alma e o que vem depois da morte, mas também a parte objetiva, concreta, como será a sepultura, se vou ser enterrada ou cremada, se minha família visitará meu túmulo alguns dias do ano ( aniversário, dia das mães) e qual seria o epitáfio escrito em minha lápide.
Acho que em vida é que devemos deixar clara a nossa vontade.
Até hoje não havia encontrado uma frase que realmente gostasse, até ler a mensagem de Rubem Alves e decidir que este será meu epitáfio: "Aquilo que o coração ama fica eterno".
Se for a vontade de Deus espero demorar muito para utilizá-lo, mas não podia deixar de registrar meu desejo.
Não estou com pensamentos fúnebres, pelo contrário, mas buscava uma frase para este momento em que se encerra a vida há muito tempo, já havia pesquisado epitáfios na internet e e sem procurar a frase ideal  apareceu .
Fui pesquisar a autoria da frase e encontrei este texto de Rubem Alves que achei muito pertinente com o tema em questão.
Nele o autor cita a frase de Adélia: "Aquilo que a memória ama fica eterno", as frases são parecidas, mas prefiro a primeira, que em vez de memória fala em coração. 

COMEMORAR, RECORDAR
(Rubem Alves)

É preciso preparar a alma com antecedência para o evento. O tempo da "comemoração" se aproxima. Comemorar quer dizer "trazer de novo à memória". Para quê? Para que se cumpra o ditado popular que diz "recordar é viver". Dentre todos os seres vivos os seres humanos são os únicos que se alimentam do passado. Eles comem aquilo que já deixou de existir.
Proust deu o nome de "Em Busca do Tempo Perdido" à sua obra clássica. Se está perdido irremediavelmente no passado, por que se entregar à tarefa inútil de procurá-lo?
Por fora, no mundo cotidiano do trabalho, estamos em busca de coisas novas. Mas a alma, nas penumbras em que mora, vive à procura de coisas velhas. Alma é saudade. Saudade é a inclinação da alma na direção das coisas amadas que se perderam. Foram perdidas e, a despeito disso, continuam presentes como dor: "...Que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada no membro que já perdi..." Saudade é a presença de uma ausência.
Para a saudade não existe cura. Tudo o que podemos dar a ela como consolo é inútil. Por isso, Fernando Pessoa escreveu: "Mas por mais rosas e lírios que me dês, eu nunca acharei que a vida é bastante. Faltar-me-á sempre qualquer coisa, sobrar-me-á sempre de que desejar..." A alma é como um queijo suíço, toda cheia de buracos que doem no seu vazio...
Há um esquecer que é uma felicidade. É como mar que limpa e alisa a areia que os humanos haviam pisado na véspera sem pedir desculpas. Já tive essa estranha sensação bem cedo na praia diante da areia lisa, um sentimento de culpa por machucá-la com meus pés... O esquecimento alisa a areia. Tudo fica puro, como se fosse a primeira vez. Isso, do lado de fora. Mas lá no fundo, onde mora a saudade, não há esquecimento. Porque lá só moram as coisas que foram amadas. E o amor não suporta o esquecimento. "Aquilo que a memória ama fica eterno", escreveu a Adélia.
Há a estória daquele homem dilacerado pela dor da saudade de sua amada que morrera. Em desespero, dirigiu-se aos deuses pedindo que a devolvessem. "A morte é mais forte que nós", responderam os deuses. "Não podemos devolver o que a morte levou. Mas podemos pôr um fim ao seu sofrimento. Podemos fazê-lo esquecer a sua amada. Podemos curá-lo da saudade..." Horrorizado o homem respondeu: "Não, mil vezes não! Pois é o meu sofrimento que a mantém viva junto de mim!"
Palavra boa para dizer isso, parente de "comemorar", é "re-cordar". Pus o hífen de propósito para destacar o "cordar", que vem do latim "cor", que quer dizer "coração". Há memórias que moram na cabeça, muito úteis. Se nos esquecemos delas, cuidado! Pode ser Alzheimer se anunciando! Essas memórias não doem, são informações que levamos no bolso, ferramentas. Mas há outras memórias que moram no coração, são parte da gente. O Chico sabia e escreveu: "Oh pedaço arrancado de mim..."
Já estou preparando a minha alma para o evento. O Natal vai fisgar o membro que já perdi. Perdi a minha infância. Gostaria mesmo era de ir para um mosteiro, longe de comilanças, presentes e risos. Num mosteiro eu poderia experimentar a bem-aventurança na alma que Fernando Pessoa descreveu como a alegria de não precisar de estar alegre... Eu gosto da minha tristeza natalina. Ela é verdadeira. Sou como aquele apaixonado que não queria ser curado da saudade...

RUBEM ALVES


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Escutatória- Rubens Alves

ESCUTATÓRIA



Rubem Alves

"Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.
Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise...) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia - a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada...“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.
Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“ Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.“ Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.“ E assim vai a reunião.
Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U“ definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino...“ Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto... "(O amor que acende a lua, pág. 65.)



OBS: Achei muito profundo este texto, sou suspeita pois gosto muito dos livros deste mineiro, Rubem Alves, mas se pararmos para ouvir a mensagem não há como negar que ele tem completa razão, como é difícil a arte de saber ouvir com a alma, com o coração e como é fantástico saber escutar o silêncio...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Receita Quibe assado recheado

Ontem fiz pela primeira vez uma receita que há algum tempo queria experimentar e ficou muito bom.
Na realidade vi passando na TV uma receita de quibe assado há meses atrás e achei interessante, pois é uma maneira de evitar frituras.
Pesquisei na internet e gostei de 2 receitas e então inventei a minha, misturando ingredienets de uma receita e de outra.
Minha filha Amanda ficou com receio de dar errado, pois eu estava inventando uma terceira receita, mas deu duto certo e ficou delicioso, tanto que estou arquivando aqui no blog, para evitar que eu me esqueça de como eu fiz.
Quibe assado recheado:
Ingredientes:
500g de carne moída;
3 xícaras de trigo para quibe
3 xícaras de água fervente;
3 colheres de  sopa de azeite;
2 tomates sem casca e sem semente picados em cubos pequenos;
1 cebola pequena picada em cubos;
Hortelã a gosto picadinho;
Sal a gosto;
Pimenta do reino a gosto;
Molho de pimenta a gosto;
Grill tempero para carne a gosto;
Molho Inglês a gosto;
Suco de 1/2 limão;
500 g de mussarela fatiado;
azeite para untar;
1 colher de sopa de trigo;
1 ovo;
Requeijão a gosto;

Modo de fazer:
1. Hidrate o trigo em água fervente (para cada xícara de trigo 1 de água);
2. Quando estiver frio, misture a cebola, a  hortelã, a carne moída, sal, ovo, trigo, azeite, limão, temperos e o tomate, misture bem, até obter uma massa consistente;
3. Unte uma forma forrada com papel alumínio com azeite, disponha metade da massa de quibe, em seguida faça camadas de mussarela, e salpique colheradas de requeijão por toda superfície;
4. Disponha o restante da massa, faça cortes como se fosse fatiar e regue com azeite e leve ao forno por 30 minutos.
o Obs.: Se preferir, altere os ingredientes do recheio ao seu modo, usando bacon, azeitona, presunto, calabresa, salsa, cebolinha ou como preferir.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A mulher invisível

Férias quando não é sinônimo de viagem, é de filmes e livros.
Esta última semana fizemos uma verdadeira maratona de filmes e não procuramos apenas lançamentos, mas princialmente bons filmes que não tivemos oportunidade de assistir.
Gosto muito de comédia romântica e suspense inteligente.
Dentre os filmes que assistimos eu achei sensacional "A mulher invisível", um filme brasileiro com Selton Mello e Luanna Piovani.
Algumas cenas eram realmente hilárias e deu para dar boas gargalhadas.
E como eu amo finais felizes, o filme foi perfeito.


Sinopse:
"Pedro - Selton Mello - é o tipo de homem que acredita no casamento. Porém, ele vê seu mundo desabar ao ser abandonado pela sua mulher, Marina, ao saber que ela está grávida de um milionário americano e vai se casar. Pedro fica completamente desiludido depois do ocorrido, preocupando seu amigo Carlos - Vladimir Britcha - - e sua vizinha Vitória - Maria Manoella - que tem um amor platônico por ele. Certo dia, ele atende a porta e dá de cara com a mulher mais bonita do mundo segurando uma xícara vazia - Luana Piovani - que diz que é sua nova vizinha, Amanda, e precisa de açúcar. Pedro se apaixona por ela, que é a mulher perfeita para ele. Mas Amanda tem um único defeito: ela não existe de verdade. 
Cláudio Torres escreveu o papel de uma mulher ideal para a atriz Luana Piovani. Lisonjeada, ela não pensou duas vezes antes de aceitar o projeto e agora poderá ser vista em A Mulher Insivível, ao lado de Selton Mello.

O filme de Cláudio Torres, coloca o carismático Selton Mello como Pedro, um homem descrente no amor após um quase casamento frustrado. A sorte muda quando a sensual Amanda (Piovani) aparece em seu prédio e cai nos braços do pobre solitário: além de ser uma dona de casa aplicada, inteligente, sensível e amante de futebol, a nova paixão esbanja apetite sexual. O problema é que Amanda não existe e inferniza a vida de Pedro nos momentos mais impróprios.
A fórmula parece perfeita para atingir ao público local. Daniel Filho está envolvido no projeto, o que é garantia de risadas. E, claro, as cenas de Luana Piovani vestida de dominatrix, de colegial ou até mesmo pouco vestida devem chamar a atenção de marmanjos avessos às comédias românticas.
Luana contou na coletiva de imprensa de divulgação do filme, coisas bem interessantes, como, ela usou sua própria lingerie durante as gravações. “Foi bem melhor porque já sei o que cai bem e não precisei ficar provando 40 peças para cada cena”, afirmou a loira."




sábado, 2 de janeiro de 2010

Ano novo

"Ontem foi embora. Amanhã ainda não veio. Temos somente hoje, comecemos."



2010 chegou e com ele as esperanças se renovam.
A chegada de um novo ano é fundamental para renovarmos as energias, para novos começos, para abrirmos os nossos corações para novos objetivos, para novos sonhos ou mesmo para acreditar que desta vez os velhos sonhos podem se realizar.
Desde 2009 tenho metalizado que em 2010 meus sonhos se concretizariam ...pois é, o ano passado passou voando e dia 1º de janeiro começou para mim mais 365 oportunidades para realizar meus desejos mais latentes: passar em um concurso e casar na igreja com meu amor. A respeito vale citar:
“Nós abriremos o livro. Suas páginas estão em branco. Nós vamos pôr palavras nele. O livro chama-se Oportunidade e seu primeiro capítulo é o Dia de ano novo.” (Edith Lovejoy Pierce)
O primeiro passo já dei pois começo o cursinho preparatório em fevereiro.
Espero que tenha muita força de vontade, garra, determinação para alcançar meu objetivo.
Falando em Ano Novo, deixo aqui um texto em que vi algo especial:
"Mais um ano está chegando ao fim, e na beleza das noites iluminadas, os sonhos de muitos corações se preparam para a viagem à procura de suas realizações, que ocorrerá durante todo o ano vindouro.
A mesma ocorreu no ano que por hora se finda.
Sonhos saíram, alguns já voltaram sorrindo e outros, de mãos vazias, aguardam a chegada do novo ano, para seguir numa nova busca.
A realização para os sonhos de alguns, quase sempre, se perde na metade do caminho, mas, se Deus quiser, ainda terão muitos outros anos para encontrá-la.
Sabemos disso porque enquanto o ser humano tiver Deus do lado, fôlego de vida, família e amigos, estará no caminho certo e seus sonhos jamais deixarão de existir.
Desejo do fundo do meu coração que, cada vez que seus sonhos seguirem viagem, eles sempre voltem para sua vida transbordando de realizações.
Que o natal seja um passaporte para que seus sonhos embarquem na “Viagem das Realizações” do ano novo e que não voltem sem a conquista dos objetivos que motivaram a mesma.
E quando a meia-noite trouxer o Novo Ano para o mundo e os fogos de artifício anunciarem a sua chegada, nossos sonhos sairão por aí...
Que Deus tome a frente e que nas noites sem luar, as estrelas brilhem mais forte, iluminando o longo caminho.
Que no próximo ano possamos ainda ser amigos e esperarmos juntos a chegada dos nossos sonhos que partiram, comemorando com imensas taças de amizade verdadeira a vinda e a realização de cada um".

FELIZ ANO NOVO!!!