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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

1 ano sem Maria.


Hoje faz um ano que minha sogra faleceu, mas ainda não fica fácil acreditar que ela se foi.
Penso como deve ser difícil para os filhos e para meu sogro viver a ausência da mãe e esposa.
Fico triste em pensar que meus filhos pequenos em breve não mais se recordarão de maneira clara da avó, haja vista que eram crianças quando ela foi para o outro lado da vida, já que acredito que exista este outro lado.
Maria sempre foi uma avó presente na vida dos netos, uma avó extremamente carinhosa e amiga, muito fácil dos netos se apaixonarem, pois dentro dela morava uma eterna criança.

Sempre foi uma mãezona para os filhos, cheia de amor para dar e por isto mesmo era um ser carente de atenção e carinho e foi amada por todos aqueles que a conheciam, bastava abrir aquele sorriso franco e pronto, já tocava o coração da gente.
A mim, recebeu como uma filha e era assim que sempre me cumprimentava quando a gente se encontrava: Como vai minha filha? E acolheu Ticiana e Amanda como verdadeiras netas.

Eu estava fazendo um fotolivro para ela, sem pressa, com fotos dela com os netos Miguel e Maria Luísa (meus filhos) para dar de presente no dia da avó, de 26 de julho de 2014 e ficou inacabado, pois no dia 25 de fevereiro ela vez a viagem para o outro lado.
Mas, acredito que o mais importante é deixar acessa as lembranças, recordar os momentos de felicidade e deixar a saudade guardada no coração.
Não é tão triste a perda, quando NÃO permitimos que a pessoa morra dentro de nós.
É assim, que nós, seus familiares, devemos seguir,  permitindo que ela continue presente em nossas vidas, seja nas histórias que contaremos para os nossos filhos ou no bate-papos em que incluiremos seus casos.
Sobre o álbum, acho que ainda o farei, mas presentearei meus filhos, para que possam sempre se lembrar como a avó os amava.

Muita saudade mesmo.
Sei que ela está bem e olha por nós.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Saudade é o amor que fica...


 Para reffletir na data de hoje, dia de Finados.

Um anjo que por mim passou ( história verdadeira)


"Médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos  de atuação profissional, com toda vivencia e experiência que o exercício da medicina nos traz, posso afirmar que cresci e me modifiquei com os dramas vivenciados pelos meus pacientes.

Dizem que a dor é quem ensina a gemer.

Não conhecemos nossa verdadeira dimensão, até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.

Descobrimos uma força mágica que nos ergue, nos anima, e não raro, nos descobrimos confortando aqueles que vieram para nos confortar.

No início da minha vida profissional, senti-me atraído em tratar crianças, me entusiasmei com a oncologia infantil.

Tinha, e tenho ainda hoje, um carinho muito grande por crianças.

Elas nos enternecem e nos surpreendem como suas maneiras simples e diretas de ver o mundo, sem meias verdades.

Nós, médicos, somos treinados para nos sentirmos "deuses".

Só que não o somos! Não acho o sentimento de onipotência de todo ruim, se bem dosado. É este sentimento que nos impulsiona, que nos ajuda a vencer desafios, a se rebelar contra a morte e a tentar ir sempre mais além.

Se mal dosado, porém, este sentimento será de arrogância e prepotência, o que não é bom.

Quando perdemos um paciente, voltamos à planície, experimentamos o fracasso e os limites que a ciência nos impõe e entendemos que não somos deuses.

Somos forçados a reconhecer nossos limites!

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional.

Nesse hospital, comecei a freqüentar a enfermaria infantil,e a me apaixonar pela oncopediatria.

Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pacientes, particularmente os das crianças, que via como vítimas inocentes desta terrível doença que é o câncer.

Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento destas crianças.

Até o dia em que um anjo passou por mim.

Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada porém por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos.

Hospitais, exames, manipulações, injeções, e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapias e radioterapia.

Mas, nunca vi meu anjo fraquejar.

Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas não via fraqueza em seu choro.

Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e isto é humano!

Mas via confiança e determinação.

Ela entregava o bracinho à enfermeira, e com uma lágrima nos olhos dizia:

- Faça tia, é preciso para eu ficar boa.

Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe.

E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

Meu anjo respondeu:-

-Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio.

Eu não nasci para esta vida!

Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:

- E o que a morte representa para você, minha querida?

- Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama dos nossos pais, e, no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama não é?

(Lembrei minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, costumavam dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.)

- É isso mesmo, e então?- perguntei.

-Vou explicar o que acontece, continuou ela:

Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é?


- É isso mesmo querida, você é muito esperta!

- Olha tio, eu não nasci para esta vida!

Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar.

Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei "entupigaitado". Boquiaberto, não sabia o que dizer.

Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei parado, sem ação.

- E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela.

Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei ao meu anjo:

- E o que a saudade significa para você, minha querida?

- Não sabe não tio? Saudade é o amor que fica!

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um dar uma definição melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: é o amor que fica!

Um anjo passou por mim...

Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra, do que nos permitimos enxergar. Que geralmente, absolutilizamos tudo que é relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jóias) enquanto

relativizamos a única coisa absoluta que temos, nossa transcendência.

Meu anjinho já se foi, há longos anos.

Mas deixou uma grande lição, vindo de alguém que jamais pensei, por ser criança e portadora de grave doença, e a quem nunca mais esqueci.

Deixou uma lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores.

Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela a quem chamo "meu anjo", que brilha e resplandece no céu.

Imagino ser ela, fulgurante em sua nova e eterna casa.

Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições  que ensinastes, pela ajuda que me destes.

Que bom que existe saudades!

O amor que ficou é eterno!!!"

(Rogério Brandão - Médico Oncologista clínico RC Recife Boa Vista D4500 Cremepe 5758)



sexta-feira, 5 de março de 2010

O Vendedor de Sonhos- O Chamado

Segunda-feira iniciei a leitura do livro de Augusto Cury o Vendedor de Sonhos, O Chamado.
Conforme a sinopse, é a narrativa de uma história em que "um homem maltrapilho e desconhecido tenta impedir que um intelectual se suicide. Um desafio que nem a polícia, nem um famoso psiquiatra tinham sido capazes de resolver. Depois de abalá-lo e resgatá-lo, ese homem, de quem ninguém sabe a origem, o nome ou a história, sai proclamando aos quatro ventos que as sociedades modernas se converteram em um hospício global. Com uma eloquência cativante, começa a chamar seguidores para vender sonhos em uma sociedade que deixou de sonhar. Nada tão belo e tão estranho...
Ao mesmo tempo em que arrebata as pessoas e as liberta do cárcere da rotina, arruma muitos inimigos.
Será ele um sábio ou o mais louco dos seres?
Um romance que nos fará chorar, rir e pensar muito".
Ontem, li uma parte em que o vendedor de sonhos adentra em um velório e que seus seguidores, até o momento da minha leitura são: o intelectual,  o bêbado e  o ladrão, ficam com receio, pois sabem que aquele ambiente é feito para o silêncio e para a dor e por isto se afastam um pouco do seu mestre.
Achei interessante a visão que o vendedor passa para os presentes, vejamos:
"- Por que vocês estão desesperados? O senhor Marcos Aurélio não está morto.
...Não lhes peço que silenciem sua dor, mas que silenciem o desespero. Não espero que estanquem suas lágrimas, mas estanquem os altos níveis de angústia. A saudade nunca é resolvida, mas o desespero deve ser aquietado, pois não honra quem partiu.
As pessoas começaram a perceber que o homem de vestes estranhas e barba proeminente podia ser excêntrico, mas era inteligente. O filho do morto, Antônio ( 12 anos), e a esposa, Sofia, fixaram-se nele.
Em seguida, com ar de serenidade difícil de definir, adicionou:
-Marco Aurélio viveu momentos incríveis, chorou, amou, se encantou, perdeu, conquistou. Vocês estão aqui tristes com sua ausência, mergulhados num sentimento de vácuo existencial, porque  o estão deixando morrer no único lugar em que ele tem de continuar vivo. Dentro de vocês.
Vendo as pessoas mais interiorizadas, usou novamente seu penetrante método socrático:
- Que cicatrizes Marco Aurélio deixou em suas emoções?
Onde ele influenciou seus caminhos? Que reações marcaram sua maneira de ver a vida? Que palavras e gestos perfumaram seus intelecto? Onde este homem silencioso ainda grita nos recônditos de suas histórias?
Após proferir essas perguntas sequencialmente, o vendedor de idéias deu um choque de lucidez em todos os que ouviam sua voz, inclusive em nós, que o seguíamos. Mais uma vez ficamos envergonhados pela nossa falta de sabedoria e sensibilidade. Ele refez a pergunta inicial que abalara os ouvintes:
- Este homem está vivo ou morto dentro de vocês?
As pessoas disseram que estava vivo. Imediatamente ele fez um comentário que tirou as pessoas do desespero e abrandou ânimos:
- Pouco antes de Jesus ser morto, uma mulher, de nome Maria, amando-o, derramou sobre ele o mais caro dos perfumes. Era tudo o que ela tinha. Ao ungi-lo com seu perfume, ela queria elogiá-lo por tudo o que ele fez e viveu, e ele ficou tão emocionado que a elogiou por seu gesto magnânimo, enquanto os díscipulos a repreendiam porque desperdiçara um perfume valiosíssimo, que poderia ter outras finalidades.
Censurando os discípulos, ele lhes disse que os estava preparando para sua morte, e que onde a sua mensagem fosse propagada o gesto dela seria como um memorial eterno.
As pessoas estavam concentradas em suas palavras. Os que não ouviam direito tentavam se espremer junto aos que estavam mais próximos. A seguir arrematou:
- O Mestre dos Mestres quis demontrar que o velório pode ser um ambiente de lágrimas, mas deve ser acima de tudo um ambiente saturado de elogios e recordações solenes. O luto deve ser um ambiente perfumado, uma homenagem para quem partiu. Um ambiente para contar seus gestos, declarar suas recordações, comentar suas palavras. A maioria dos seres humanos tem algo para ser declarado. Por favor, contem-me os feitos desse homem! Declarem o significado dele na vida de vocês.
Seu silêncio deve alçar voo de nossa voz.
Num primeiro momento, as pessoas olharam umas para as outras, sem reações. Num segundo momento, foi incrível o que sucedeu. Muitos começaram a contar passagens únicas que tinham vivido com ele. Falaram de legado que ele deixara. Alguns comentaram sobre sua gentileza. Outros declararam sua afetividade. Outros discorreram sobre sua bondade e companheirismo. Outros apontaram sua lealdade. Outros elogiaram sua capacidade de lidar com fracassos. Outros, mais relaxados, falaram sobre seus maneirismos. Houve quem dissesse que era apaixonado pela natureza. Um amigo disse:
- Jamais vi alguém tão teimosso e obstinado.- As pessoas sorriram num ambiente em que ninguém sorri, inclusive Antônio e esposa, pois sabiam que ele era realmente um grande teimoso. E o amigo acrescentou: - Mas ele me ensinou que nunca devemos desistir daquilo que amamos.
Foram incríveis vinte minutos de homenagens. As pessoas não sabiam descrever a fascinante experiência emocional que haviam tido. Marco Aurélio estava vivo, pelo menos dentro das pessoas que o velavam. Nesse momento, o mestre olhou para nós, seus discípulos, e brincou, ou nos disse uma verdade, não sei. Comentou:
- Quando eu morrer, não se desesperem. Homenageiem-me. Falem dos meus sonhos, falem das minhas loucuras...".


Este capítulo do livro denominado "Uma solene homenagem" me fez refletir sobre a questão de como o velório é conduzido na nossa cultura.
Digo na nossa cultura porque já presenciei em vários filmes americanos a cena descrita no livro em que nos velórios as pessoas vão até um local apropriado e fazem homenagens para aquela pessoa que está sendo velada.
É claro que isto não diminui a dor, mas pensando bem, se durante o velório um momento fosse destinado para homenagens póstumas, não seria um bálsamo para o coração dos familiares mais íntimos esta sincera homenagem?
Presenciar como a pessoa era querida, ouvir relatos de suas atitutes durante a vida não traria um certo conforto, não aliviaria mesmo que de forma transitória a angústia?
Acredito que sim, se feito sem hipocrisia, tipo daquelas que alegam que todo mundo vira santo depois que morre...  
É algo a ser pensado, e o livro em cada capítulo nos indaga a respeito de valores da sociedade que devem ser ponderados, modificados.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Epitáfio

Recebi uma mensagem de Rubem Alves feita em pps cujo título era escutatória, gostei tanto que até postei aqui no blog.
No final da mensagem havia uma frase atribuída ao mesmo autor:"Aquilo que o coração ama fica eterno".
Gostei da frase, achei simples e verdadeira, aliás, achei perfeita.
As vezes naqueles momentos em que a gente pensa na morte (afinal ela é certa, então de vez em quando temos que pensar...) eu fico imaginando o depois, não somente a parte da alma e o que vem depois da morte, mas também a parte objetiva, concreta, como será a sepultura, se vou ser enterrada ou cremada, se minha família visitará meu túmulo alguns dias do ano ( aniversário, dia das mães) e qual seria o epitáfio escrito em minha lápide.
Acho que em vida é que devemos deixar clara a nossa vontade.
Até hoje não havia encontrado uma frase que realmente gostasse, até ler a mensagem de Rubem Alves e decidir que este será meu epitáfio: "Aquilo que o coração ama fica eterno".
Se for a vontade de Deus espero demorar muito para utilizá-lo, mas não podia deixar de registrar meu desejo.
Não estou com pensamentos fúnebres, pelo contrário, mas buscava uma frase para este momento em que se encerra a vida há muito tempo, já havia pesquisado epitáfios na internet e e sem procurar a frase ideal  apareceu .
Fui pesquisar a autoria da frase e encontrei este texto de Rubem Alves que achei muito pertinente com o tema em questão.
Nele o autor cita a frase de Adélia: "Aquilo que a memória ama fica eterno", as frases são parecidas, mas prefiro a primeira, que em vez de memória fala em coração. 

COMEMORAR, RECORDAR
(Rubem Alves)

É preciso preparar a alma com antecedência para o evento. O tempo da "comemoração" se aproxima. Comemorar quer dizer "trazer de novo à memória". Para quê? Para que se cumpra o ditado popular que diz "recordar é viver". Dentre todos os seres vivos os seres humanos são os únicos que se alimentam do passado. Eles comem aquilo que já deixou de existir.
Proust deu o nome de "Em Busca do Tempo Perdido" à sua obra clássica. Se está perdido irremediavelmente no passado, por que se entregar à tarefa inútil de procurá-lo?
Por fora, no mundo cotidiano do trabalho, estamos em busca de coisas novas. Mas a alma, nas penumbras em que mora, vive à procura de coisas velhas. Alma é saudade. Saudade é a inclinação da alma na direção das coisas amadas que se perderam. Foram perdidas e, a despeito disso, continuam presentes como dor: "...Que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada no membro que já perdi..." Saudade é a presença de uma ausência.
Para a saudade não existe cura. Tudo o que podemos dar a ela como consolo é inútil. Por isso, Fernando Pessoa escreveu: "Mas por mais rosas e lírios que me dês, eu nunca acharei que a vida é bastante. Faltar-me-á sempre qualquer coisa, sobrar-me-á sempre de que desejar..." A alma é como um queijo suíço, toda cheia de buracos que doem no seu vazio...
Há um esquecer que é uma felicidade. É como mar que limpa e alisa a areia que os humanos haviam pisado na véspera sem pedir desculpas. Já tive essa estranha sensação bem cedo na praia diante da areia lisa, um sentimento de culpa por machucá-la com meus pés... O esquecimento alisa a areia. Tudo fica puro, como se fosse a primeira vez. Isso, do lado de fora. Mas lá no fundo, onde mora a saudade, não há esquecimento. Porque lá só moram as coisas que foram amadas. E o amor não suporta o esquecimento. "Aquilo que a memória ama fica eterno", escreveu a Adélia.
Há a estória daquele homem dilacerado pela dor da saudade de sua amada que morrera. Em desespero, dirigiu-se aos deuses pedindo que a devolvessem. "A morte é mais forte que nós", responderam os deuses. "Não podemos devolver o que a morte levou. Mas podemos pôr um fim ao seu sofrimento. Podemos fazê-lo esquecer a sua amada. Podemos curá-lo da saudade..." Horrorizado o homem respondeu: "Não, mil vezes não! Pois é o meu sofrimento que a mantém viva junto de mim!"
Palavra boa para dizer isso, parente de "comemorar", é "re-cordar". Pus o hífen de propósito para destacar o "cordar", que vem do latim "cor", que quer dizer "coração". Há memórias que moram na cabeça, muito úteis. Se nos esquecemos delas, cuidado! Pode ser Alzheimer se anunciando! Essas memórias não doem, são informações que levamos no bolso, ferramentas. Mas há outras memórias que moram no coração, são parte da gente. O Chico sabia e escreveu: "Oh pedaço arrancado de mim..."
Já estou preparando a minha alma para o evento. O Natal vai fisgar o membro que já perdi. Perdi a minha infância. Gostaria mesmo era de ir para um mosteiro, longe de comilanças, presentes e risos. Num mosteiro eu poderia experimentar a bem-aventurança na alma que Fernando Pessoa descreveu como a alegria de não precisar de estar alegre... Eu gosto da minha tristeza natalina. Ela é verdadeira. Sou como aquele apaixonado que não queria ser curado da saudade...

RUBEM ALVES


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Poema de Natal

Dezembro chegou e com ele o clima de Natal se intensifica no meu coração.
Pensei em deixar todos os dias uma mensagem, recado falando sobre a importância do Natal.
Pesquisando na internet achei um poema de Vinicius de Morais chamado Poema de Natal, o texto é triste, pois ao meu entender fala da morte, mas não deixa de ser profundo, verdadeiro e nele existe uma beleza lúgubre.
Não consigo identificá-lo como Natal, então colocarei no marcador destinado a "Partidas".

Poema de Natal

Vinicius de Moraes


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Partir



Há uma semana que todos os dias por algum momento me vejo pensando na morte e no sentido de nossa existência.
Tudo começou com a tragédia ocasionada pela chuva em minha cidade natal que fez 3 vítimas, sendo que eu conhecia uma delas.
Sempre que alguém morre, principalmente de forma drástica eu demoro para me desligar do tema.
O pior é que durante toda semana tenho lido notícias assim, a morte da atriz Mara Manzan, a qual tinha relatado em seu blog que se sentia bem e queria viver muito, ficar bem velhinha e ser bisavó...a morte do goleiro da Alemanha, de apenas 32 anos que teve a coragem de suicidar-se, como ele foi enterrado no túmulo de sua filha que falecera com apenas 2 anos de idade, pensei que tal fato pode ter sido um dos motivos de sua partida, pois a pior dor que deve existir no mundo e que eu não gostaria de experimentar nunca é a perda de um filho.
Pra complentar na noite de terça-feira ao final da leitura do livro 12 semanas para mudar uma vida, o Autor Augusto Cury toca no assunto morte x  vida e relata que o estranho é o fato das pessoas não pensarem neste assunto.
E finalmente ontem ao ler as notícias do yahoo, vi que um pai em São Paulo atirou o filho de 2 anos de um terraço de 18 andares e pulou em seguida, bem como uma mãe esqueceu seu bebê de 6 meses no carro e ele faleceu.
Puxa, há muito não leio tanta coisa ruim.
Sempre que penso na morte minha sensação é de angústia, meu peito fica apertado.
Com certeza ela é o maior mistério que existe, algo que ninguém jamais desvendou.
Apesar de todo mundo saber que ela existe e que um dia ela vai chegar, agimos como se nunca fôssemos morrer.
Acho que tocar no assunto é tão assustador que preferimos adiar.
Acredito que há um propósito para cada um de nós aqui na Terra, acredito que há um Deus que realmente nos ama e que as vezes não temos capacidade de entender seus desígnios e sem fé nunca seremos capazes de aceitar.
Padre Marcelo Rossi fala uma frase que devemos fazer em momentos difíceis, deixar de perguntar o por que e passar a perguntar para que.
Padre Fábio de Melo fala da necessidade de demosntrarmos em vida os nossos sentimentos para as pessoas que amamos, depois já é tarde demais.
Gosto da frase " É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, pois se você parar pra pensar na verdade não há".
Em momentos como de agora é que estou a pensar, nunca saberemos se haverá amanhã para nós ou para quem amamos, então, não é motivo para sofrer com antecedência, mas é motivo para amar e falar que ama com antecedência, sempre que tivermos oportunidade.

sábado, 3 de outubro de 2009

13 anos sem vovó


Hoje faz 13 anos que minha avó Edith faleceu.
Ela partiu tão de repente, que nem deu tempo de despedir e falar o quanto eu a amava.
Devido a essas coincidências da vida, ela morreu no mesmo dia que sua filha ( tia Terezinha) nascera.
Penso que após a morte de vovó, para minha tia os aniversários não eram tão alegres e perfeitos, pois não há como separar os eventos...talvez por isso há muito ela não comemorava seu aniversário com todos os familiares, o que fará amanhã.
Quanto à minha avó, depois de tantos os anos, ficou aquela saudade que nunca se apaga.
Sei que ela meu avô estão bem, em outra dimensão, em um lugar certamente especial, pois foram pessoas maravilhosas, que só semearam amor e bondade.
Na foto acima estão meus avós quando eram jovens.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Saudades

Hoje completa 9 anos que me avô Amador faleceu.
De todas as partidas que já aconteceram em minha jornada (ainda bem que foram poucas), ele é sem dúvida a que mais senti.
Me emociono ao recordar momentos da minha infância passados ao lado de vovô.
Quando ele se foi, estava com 92 anos de idade e se não fosse um câncer que teimava em tirar-lhe a vida, associado à sua não muita vontade de ficar entre nós...já que minha avó havia partido em outubro de 1996, deixando um vazio que jamais se preencheria, tendo em vista que ela fora sua companheira há mais de 60 anos.
Agradeço à Deus todos os dias por ter minha família completa (pai, mãe, irmãos, meus filhos e meu amor).
Concordo com Madre Tereza de Calcutá quando diz que a morte é o maior mistério que há.
Apesar de ser a maior certeza que todos nós temos nesta vida, vivemos como se ela nunca fosse chegar para nós ou para as pessoas que amamos...nunca estamos preparados.
Fica uma mensagem:
Oração de Santo agostinho
A morte não é nada.
Apenas passei ao outro mundo.
Eu sou eu. Tu és tu.
O que fomos um para o outro ainda o somos.
Dá-me o nome que sempre me deste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom a um triste ou solene.
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome se pronuncie em casa como sempre se pronunciou.
Sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.
A vida continua significando o que significou, continua sendo o que era.
O cordão da união não se quebrou. Por que eu estaria fora de teus pensamentos, apenas porque estou fora de tua vista?
Não estou longe, somente estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem...
Redescobrirás meu coração. E nele redescobrirás a ternura mais pura.
Seca tuas lágrimas e, se me amas, não chores mais.